O AMOR A GENTE (AINDA) INVENTA


by Débora de Moraes Coelho
Não adianta, estamos em pleno século 21 e tudo que ainda queremos é amar. Encontrar alguém que nos tire do rumo de vez e que nos leve a rir sem motivos, cantarolar numa fila de banco, enfim, que nos faça mais vivos e, aos olhos dos amigos, uns idiotas.
Gabe (Josh Hutcherson), no filme O abc do amor, faz considerações deliciosamente inteligentes para um menino de dez anos que descobre de um dia para o outro que “as meninas sempre foram insuportáveis… até ontem”. Ao longo das descobertas do primeiro amor, ele nos diz que: “O amor não tem nada a ver com palavras idiotas, mas com grandes gestos. O amor é ir além das forças, ainda que machuque. Liberar os sentimentos. O amor é achar dentro de si uma coragem que nem sabia existir.”
Embalado pelo encantamento produzido pelos encontros com Rosemary (Charlie Ray), Gabe nos revela todo o estado de ilusão e apaixonamento, próprio das relações amorosas, independente de ser a primeira ou a última. O amor, desde o início dos tempos, se apresenta como um campo aberto às experimentações que as pessoas vão criando e que acabam sedimentando marcas em suas histórias e singularidades.
Incertezas do amor
No contemporâneo deixamos de ter um único modo aceito e vigente de relacionamento. É a moçada que vem nos relembrar que amor e invenção sempre formam uma boa dupla. Mesmo que uma experiência/relação termine, sempre se quer voltar a viver esse sentimento.
Gabe sabe bem disso, ao refletir ao longo de duas semanas de apaixonamento que: “o amor é um negócio horroroso e terrível, praticado por tolos. Vai partir seu coração e deixar você na pior. O que sobra pra você no final? Nada além de umas incríveis lembranças que não se esquecem. A verdade é que haverá outras garotas por aí. Quero dizer, eu espero.”
Talvez o que diferencie as relações afetivas de hoje seja a questão do tempo: acontecem por um dia, uma semana, um ano ou pela vida toda. Há quem conheça sua cara-metade numa festa, a céu aberto ou num chat virtual. Uns ficam e não se vêem nunca mais. Outros dividem contas, mas moram em casas separadas. Enfim, por este mundo são encenados episódios variados.
Esta forma múltipla das relações fala também do mundo em que estamos imersos. Afinal de contas, não podemos desconectar a maneira de como criamos esta realidade e a forma como lidamos uns com os outros. As relações se estabelecem com a mesma fluidez que a troca de informações e respostas imediatas que nos são exigidas nas decisões diárias. A falta de padrões reguladores, precisos e duradouros vai gerando uma incerteza radicalizada em todos os campos de interação humana.
O amor entra neste sistema de incerteza e também passa a ser vivenciado de um jeito mais inseguro. Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamento, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos para rever o rumo da relação.
Quanto maior a liberdade, maior o sentimento de estarmos perdidos. Mas essa sensação faz parte do encontro que fomos construindo conosco mesmos e se a moda é entrar em novos relacionamentos sem fechar as portas para outros, devemos pensar no que realmente desejamos fazer, independente do que nos digam para fazer.
Frente a essa insatisfação contemporânea, homens e mulheres, meninos e meninas continuam perseguindo a chance de encontrar o(a) parceiro(a) ideal. As regras de negociação para sobreviver neste campo amoroso devem ser feitas em primeiro lugar consigo mesmo: Quais os critérios que tenho para me relacionar? Em meus critérios eu incluo o sentimento do(a) outro(a)? O que quero e consigo viver? Que tipo de pessoa me alimentará e expandirá meus horizontes? Só depois é que, menos perdidos, poderemos usufruir da liberdade que nossos dias nos oferecem.
Claro que essa liberdade é assustadora e nos produz estranheza. Os mais jovens, no entanto, lidam melhor com as transformações de seu tempo e podem auxiliar o mundo a entender como construir um outro tipo de equilíbrio, uma certa tranqüilidade ao olhar o novo. Relação afetiva, aprendemos com a tal moçada, precisa ser vivida. E a vida, assim como o amor, a gente é que inventa!
* Achei interessante porque não entendi bem o contexto. Vocês entenderam o que o texto recomenda???!!!
Débora de Moraes Coelho psicóloga, mestre em Psicologia, psicoterapeuta e professora na Univates, Porto Alegre, RS
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16 responses to this post.

  1. Adriana, kkk! Melhor assim, não é?!… Sabe que é isso mesmo? Bem lembrada a situação de marginalizar. Já estou entendendo bem melhor, rsrs.Beijos

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  2. Rebeca, também estou achando. Gostei também da frase. A gente pisa no acelerador e de repente percebe que está sem freios, kkk!Beijão!xoxo

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  3. Fala sobre os amores de hoje, que na verdade ele é um sentimento um pouco complicado. Isso me lembra um texto que escrevi uma vez sobre razão x emoção e também um pouco sobre o livro "amor líquido" de Zygmunt Bauman fala exatamente sobre os relacionamento passageiros de hoje em dia, da fragilidade dos laõs humanos. Olha o trechinho do livro:"As relações humanas dispõem hoje de mecanismos tecnológicos e de um consenso capaz de torná-las mais frouxas, menos restritivas. É preciso se ligar, mas é imprescindível cortar a dependência, deve-se amar, porém sem muitas expectativas, pois elas podem rapidamente transformar um bom namoro num sufoco, numa prisão. Um relacionamento intenso pode deixar a vida um inferno, contudo, nunca houve tanta procura em relacionar-se.Homens e mulheres presos numa trincheira sem saber como sair dela, e, o que é ainda mais dramático, sem reconhecer com clareza se querem sair ou permanecer nela. Por isso movimentam-se em várias direções, entram e saem de casos amorosos com a esperança mantida às custas de um esforço considerável, tentando acreditar que o próximo passo será o melhor. A conclusão não pode ser outra: “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum”.Essa é uma leitura bem complicada rsKisu!

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  4. Rovênia, gostei da praticidade e acho que você está certa." No fim, o amor chega e vence ".E esatmos conversados, não é?Um abraçaoManoel

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  5. Manoel, presumo que ela esteja louvando a busca dos jovens de hoje. Mas não os vejo buscando, apenas vivendo, descompromissadamente. Não valorizam relações e nem se dispõem a vivê-las. Tudo é fugaz e também deixa marcas. Ainda creio que o amor chega sem avisar, mas que devemos estar atentos e a ele dispensar uma disponibilidade especial.Mais uma vez, obrigada pela sensibilidade com que comenta as postagens dos amigos, estimulando-os e valorizando-os. Bjs.

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  6. "A questão é que muitos jovens não estão sabendo lidar adequadamente com o namoro, tratando-o apenas como curtição, lazer, zoação, status, autoafirmação", Mas como disse a Ana Paula; Amor sempre será amor. Quando ele chega, chega chegando, fazendo mudanças. É ficar acordado enquanto tods dormem….Eu ainda me lembro kkkkkkkk.

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  7. Oi ManoelConcordo com os comentários acima_ atualmente as relaçoes estão mais abertas ,há mais questionamentos e numa certa idade os jovens com razaõ se indagam mais_ no entanto o amor sempre prevalece seja de que forma for e claro torcemos para que seja saudável duradouro e verdadeiro,abraços e saudades!

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  8. Manoel,adorei a sinceridade…rsrs… Mas pelo que li, o texto fala que atualmente são tantas as opções de amor, de relações que a facilidade de mudarmos de amor, de relacionamento é bem maior do que antes que não tinha muita escolha. Ou a pessoa casava para o resto da vida, ou ela era descriminada e marginalizada. E a relação do resto da vida era com muito sofrimento. Aliás, essa facilidade também faz com que o sofrimento também seja grande. Já que procuramos sempre o grande amor e nos perdemos com tantas opções!BeijosAdriana

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  9. Manoel, acho q ela quer dizer que no século 21 o amor ainda é a mesma coisa. Ainda causa dúvidas e menos e q devemos saber quais são nossas prioridades, o q queremos pro nosso futuro e só assim saberemos o tipo de pessoas q "precisamos".Gostei da frase: "Quanto maior a liberdade, maior o sentimento de estarmos perdidos." hoje em dia tudo é muito liberal, as pessoas não respeitam muito umas as outras, mas acho q, no final, amor é amor em qualquer tempo e século. E pronto! :)Beijão!Rebecaxoxo

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  10. Não. É que a gente tem que inventar um fim, a relação de cada um? Não há regra para um amor dar certo, tem de vivenciar, apostar, descobrir, querer o equilíbrio, aceitar essa liberdade, que a dois, precisa seguir num eixo. É uma procura incessante, um contentar-se de contente, um não desistir. Ok, vamos tentando… No fim, o amor chega e vence. Um abração!

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  11. Ana Paula, seu comentário esclareceu tanto quanto ao da nossa amiga Ana Bailune. É exatamente isso que a autora Débora nos passa. Valeu!Beijo

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  12. Ana, bom dia. Que ótimo que você viu o filme. Adorei e me esclareci com o seu comentário. Muito legal!Tenha um dia maravilhoso

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  13. Amantikir, a mim ficou um pouco obscuro, mas aparecerá alguém com maior conhecimento para orientar a gente, né?Inté

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  14. É fato as mudanças nos "jeitos" do amor. Ficar, ficante, namoros via web… mas o amor sempre continuará sendo o amor, aquele que nos faz suspirar, chorar, sofrer, ser feliz!Bj

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  15. Olá,bom dia. Vi o filme, e eu simplesmente achei aquele menino um fofo, e acho que se fosse real, quando se tornasse adulto, seria o homem que toda mulher deseja. Romântico, atencioso, apaixonado, dedicado. Quanto ao texto, acho que ele nos diz, basicamente, que o amor pode ter várias faces, e que precisamos encontrar uma que se identifique com os nossos objetivos. Legal!

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  16. Manoel,também não entendi muito bem…ufa!pensei que fosse só eu! Talvez relendo com mais calma e atenção eu consiga entender. Boa madrugada! Inté!

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