SAINDO DA DEPRESSÃO

by Paulo Franklin

Já convivi com pessoas depressivas e pude notar as terríveis dores emocionais que assolaram a alma delas. Quem sofre de depressão traz consigo uma cruz tão pesada que, na maioria dos casos, não encontra forças para carregá-la sozinha. Por isso, julgo necessário, como ajuda terapêutica para a cura da depressão, a presença de pessoas amigas na vida do depressivo, afim de que estes entendam que não estão fadados a carregar por toda vida aquela terrível dor.

Depressão vem e precisa ir embora, e quanto mais rápido, melhor. Não há mortal que esteja isento de enfrentar este beco escuro das estradas da vida. E quem está passando por essa experiência precisa entender que não é pior do que as pessoas que não a enfrentam. No território da emoção, somos todos eternos aprendizes. Se não gerenciarmos nossos pensamentos, perderemos o controle de nossa razão. E a doença aparecerá.

Os médicos dizem que a depressão é a doença do século. Concordo. Num mundo recheado de entretenimento, experimentamos um vazio existencial imenso. É um paradoxo: quanto mais coisas são inventadas para facilitar nossa vida, mais impotentes nos tornamos. A depressão é o mal do século, porque o homem desaprendeu a olhar para dentro de si e reservar momentos para ouvir seu coração. Vivemos tão sobrecarregados com o mundo exterior que o nosso mundo interior é esquecido.

Sempre sugiro aos depressivos que não se sintam envergonhados de sua condição. Esconder nossas feridas é a pior maneira de sará-las. Quando temos a coragem de dialogar com os outros sobre aquilo que nos assombra, com o tempo entendemos que nossos fantasmas estão mais na nossa mente do que no mundo. Enfim, aprendemos que ser feliz é usar os momentos de dor para crescer.

Para sair da depressão, o depressivo tem um compromisso de verdade consigo e com as pessoas que o cercam. Sabendo que é portador da doença, precisa urgentemente trazê-la para a zona da dúvida (por que estou sentindo isto? Quando começou? Tenho razões para estar assim? Se as tenho, porque as tenho?) e, em seguida, para a zona da determinação (eu quero e posso ficar curado!). A medicina já entendeu que o querer do paciente é a mais importante atitude para o processo de cura.

Resumindo: para sair da depressão, três atitudes são essenciais:

1ª → reservar momentos a sós para “conversar” com seus medos interiores;
2ª → ir ao encontro das outras pessoas e apreciar as maravilhas da natureza;
3ª → usar a arte da crítica para questionar os porquês da sua dor.

Hoje, convivendo com as pessoas que conseguiram sair da depressão, sinto muito orgulho de cada uma delas. Digo sempre que são outras pessoas: mais maduras, mais seguras de si e prontas para enfrentar qualquer dificuldade que a vida lhes apresentar. Não se tornaram super-heróis, mas homens e mulheres de carne e osso que entenderam que podem muito mais do que sua consciência julgava determinar.

* Artigo um pouco longo, contudo o achei esclarecedor em função da simplicidade da abordagem. Para nos aprofundarmos no assunto, é interessante conversar com um especialista, correto ???!!!

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18 responses to this post.

  1. Complicado lidar com a depressão. Tem muitas pessoas que acham que é frescura, que é mimimi, mas o que é um nada pra gente, pode ser um problemão pra outra e assim caminha a humanidade. Nunca devemos subestimar uma pessoa em depressão porque aquele caminho onde está percorrendo pode ser um só de ida.

    Kisu!

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  2. Manoel esse tema dá muito o que se falar, analisar e trocar idéias. Todos em algum momento passará por isso na vida. Seja por perda de um ente querido, perda de emprego, ou simplesmente por ter a autoestima arranhada. A diferença é que alguns superam em pouco tempo. Já outros, se afundam de forma que só mesmo com ajuda de especialistas e apoio da família para conseguir sair desse estado. Outro dia lia um artigo científico falando que a depressão também é ocasionada por um desequilíbrio bioquímico no cérebro. Daí a necessidade de se tratar também com medicações para estabilizar. Enfim, como disse, há muito o que se discutir sobre esse tema. E ele é inesgotável. Eu mesma no ano passado fiquei bem mal a ponto de me preocupar e ir atrás de ajuda antes que não conseguisse mais me controlar. Foi fundamental para me equilibrar novamente. É isso. E vamos que vamos não esquecendo também que precisamos cuidar de nosso eu interior através da fé. Seja ela de que religião for. Precisamos de todos esses ingredientes para manter nossa paz .Beijo amigo!

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    • Roseli, adorei o seu comentário. Foi muito esclarecedor e vai servir para muitos que passarem por aqui. Foi bom você falar da necessidade de se tratar com medicações (claro que com acompanhamento médico). Isso funciona e coloca o cérebro no seu “norte” outra vez.
      Obrigado pelos seus esclarecimentos.
      Um beijo!

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  3. Posted by ernani on 1 de novembro de 2013 at 4:25

    Salve, Manoel! Bem-vindo de volta, meu caro! Grande abraço

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  4. Cada dia mais frequente, por múltiplos motivos. Muita força para quem enfrenta, é o que desejo, já vi de perto pessoas assim. Uma mulher que não citaria o nome, casada com um homem apaixonado, lindo, que dava o cartão de crédito na mãe dela, cirurgião plástico pra deixar ela toda linda, filhos lindos e saudáveis, amáveis e inteligentes, não trabalhava, vestia as melhores roupas e frequentava os melhores restaurantes, aparentemente alguém que jamais passaria por isso, mas ela achava a vida um peso durante uma crise muito triste de depressão que ela passou… acontece com qualquer um e que bom que existe tratamento.

    Super abraço!

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  5. Posted by Olivia Alves on 31 de outubro de 2013 at 14:46

    Também gostei muito exatamente pela simplicidade das palavras e clareza.
    Sendo uma doença tão presente na atualidade, é importante estarmos preparados para lidar com ela, seja em nós mesmos, em familiares, amigos, pessoas próximas…

    Muito legal o texto!

    beijo

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  6. “No território da emoção, somos todos eternos aprendizes.” Sempre aprendendo por aqui! Abraço,
    Áurea.

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  7. Manoel,
    Convivi com vários aspectos da depressão e só tenho a certeza de uma coisa: não tenho a certeza de nada a respeito da doença. Milhares de livros foram escritos sobre ela por pessoas que sofreram dela, por médicos, por pretendidos terapeutas modernos – mais interessados nos benefícios das vendas que nos resultados dos seus conselhos – mas nenhum apresenta soluções que se possam aplicar a cada um. Porque, na realidade, há tantas formas de depressão como há doentes que sofrem dela. Porque, afinal, cada individual a vive de uma forma única e que lhe pertence.
    Acredito que cada um deva encontrar a sua própria solução auxiliado, claro está, pelo amor dos seus próximos e de especialistas.
    Conviver com doentes de depressão nem sempre é fácil. A doença é um revelador incomparável da solidez do afecto. Quando é incondicional e verdadeiro, o apoio fica, pouco importa o tempo necessário ao doente para recuperar. Quando é frágil, a paciência acaba por faltar e as pretendidas amizades e amores eternos, acabam por se revelar pelo que eram…
    Abraço!

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  8. Ótimo tema e muito complexo. Eu já sofri desse mal, ainda quando era menina. Tive muito apoio de todos ao meu redor e graças a Deus e a essas pessoas eu pude superar essa fase. Mas não é nada fácil.

    Um super beijo

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