O QUE OS NOSSOS FILHOS NÃO ESQUECERÃO

Imagemby Dado Moura

Sempre haverá um momento em que estaremos remontando nossa história de vida, seja por meio de nossas memórias ou dos momentos registrados por antigas fotografias. Em uma fração de segundo, somos transportados para o exato momento em que se imortalizou aquela emoção, lembrando as conversas, os risos congelados naquelas fotos.

Muitos de nós ainda se lembram das brincadeiras e dos passeios que tiveram a participação “especial” de nossos pais. Em contrapartida, nossos pais também se recordam de nossas pronúncias “erradas” ao balbuciarmos as primeiras palavras.

Como poderiam ser remontados esses doces momentos se não houvesse uma disponibilidade para essa convivência?

No estresse de um dia tumultuado de trabalho ou ainda sob os efeitos da adrenalina, resultado dos engarrafamentos ou de pessoas mal-humoradas, podemos chegar em casa sem muito desejo de conviver. Com o tempo, os gracejos e as brincadeiras de nossas crianças deixaram de existir e com elas estariam também desaparecendo os protagonistas de nossa história, que poderia ter sido remontada no futuro.

Muitos falam sobre o perigo de uma criança mimada. Por outro lado, conhecemos adultos e adolescentes que vivem problemas de relacionamentos, os quais podem ter se iniciado pela ausência ou pela pouca atenção para aquilo que pode ter sido considerado irrelevante pelos pais na época.

Sabemos que, na modernidade do tempo atual, é exigido não somente dos pais, mas também das mães uma certa dose de ausência devido ao trabalho, o que para muitos de nós não aconteceu durante nossa infância. Diante disso, precisamos buscar a qualidade dos momentos disponíveis nos poucos momentos oferecidos aos nossos filhos.

Essa qualidade poderá estar escondida na simplicidade de ser outro competidor por meio de um “joystick” ou numa brincadeira inocente em que um abraço aconteça como resultado da vitória. Na fantasia infantil poderá ser exigida a nossa transformação em bandido que foge desesperadamente do mocinho ou ainda suar na tentativa de se esconder atrás do sofá. Radicalizando um pouco mais, nossas crianças poderão até exigir que nos tornemos confeiteiros de biscoitos em forma de bichinhos, carrinhos, florzinhas ou que façamos bolinhos de chuva para tomar o chá na casinha de bonecas.

Antes que a sensação de estarmos saindo da “órbita familiar” nos lance para o “espaço sideral”, busquemos reaquecer nossa história comunitária de família. A convivência entre pais e filhos, sem dúvida, é que construirá, de maneira saudosa, nossa futura história familiar. Mesmo que tais momentos não sejam registrados pelas lentes fotográficas, eles estarão gravados, de maneira indelével, no coração dos nossos pequenos, os quais não fazem questão de registrar o tempo de convivência, mas vivem intensamente os momentos de longas gargalhadas.

* Sempre bom dar uma atenção especial às crianças, não é???!!!

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24 responses to this post.

  1. Isso cai com uma luva… eu lendo esse texto me lembrei imediatamente da família do meu namorido. Como a estrutura familiar é importante para que as crianças não cresçam desesperançosas, com medo de traumas, com insegurança. Eu, que vim de uma família, graças Deus, super privilegiada nesse sentido, fica complicado entender como certos pais acham que estão fazendo o certo, qdo na verdade não procuram entender que cada pessoa é diferente, que os valores devem ser passados, mas não impostos.

    Kisu!

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  2. Posted by Sissym on 7 de novembro de 2013 at 14:00

    Manoel,

    A minha filha sempre está me agradando com elogios, abraços, desenhos. Eu queria ter mais tempo para ela, sinto saudades das horas livres que tinha para dedicar a ela. É tão bom e a vida passa rapidinho.

    Beijos

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  3. Criança precisa de atenção, mas quando essa não é possível em virtude de nossa vida moderna, acho que o mais importante é fazê-la entender e sobretudo sentir que, mesmo quando não estamos perto, ou quando estamos e os afazeres não nos permitem parar, a amamos com todo o nosso ser. Amor é sem dúvida nenhuma atitude, mas ele, quando verdadeiro, transcende qualquer dimensão, visível ou não. Gr. Bj. Manô!

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    • Cris, concordo com você em termos. A criança tenta entender a gente porque o amor dela é muito grande e isso nos acomoda. Na realidade a criança tenta poupar a gente de parecer triste ou contrariado. Isso faz mal para ela. Vai daí ela concordar com migalhas, mas eu ainda acho que é fundamental uma maior dedicação nossa ( eu disse nossa!) com algumas horas de esquecer da vida e dedica-las exclusivamente aos pequenos (ou grandes) rebentos nossos.
      Um beijo grande

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  4. Manoel,
    Chorei tanto ao ler teu texto, perdi meu Pai recentemente e ao ver a foto do texto confesso que li o texto com os olhos cheios de lágrimas.
    Parabéns por tua sensibilidade e por dividir ela comigo, conosco.
    Virei fã.
    Beijos
    Lola

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  5. É você na foto, Manoel?? Que crianças lindas!!
    Eu já fui criada na geração “moderna” que ele fala no texto e, posso dizer, as crianças sentem muuuuita falta dos pais (que no meu caso viviam trabalhando)! Mas minha mãe sempre conversou muito comigo, então eu “entendi” bem, sabe?
    Ainda prefiro qualidade à quantidade…
    Beijos

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  6. Amigo, que texto mais sensível. Amei a foto. Por acaso aquele é vc com suas filhas??
    Acho que uma infância saudável e feliz é o que de melhor os pais podem dar aos seus filhos. Não só por uma questão de memória, mas pela formação mental e psicológica das crianças.

    Beijo

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  7. Precisamos aproveitar nossa família ao máximo!! Meu pai sempre fala que “família é uma só”.
    Meus finais de semana são quase todos reservados para os meus familiares, minha família tem muita importância na minha vida!

    Beijos!
    Ana.
    Nk Cherry

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  8. Olá,amigo Manoel!
    Realmente estamos vivendo um tempo de mudanças de comportamento e até de valores, e onde a família, dita “moderna”, tem enfrentado muitos desafios, principalmente em relação aos seus filhos. E enquanto nos primórdios da humanidade a questão de “sobrevivência” era o desafio mais importante na rotina familiar, hoje, em muitos casos, nos países ditos “mais desenvolvidos”,a questão “qualidade de educação das crianças” se tornou uma das questões mais fundamentais. Afinal, como ter uma sociedade futura mais justa, democrática e generosa para todos, senão investirmos na “qualidade ética” das futuras gerações? E este assunto é tão importante e extenso, e cheio de controvérsias, que cada vez mais aumentam as discussões entre pais e educadores. Ao meu ver, nunca teremos uma regra eficiente para todos, uma vez que nesses “novos tempos” existem tantas “fórmulas familiares” que fica muito difícil julgar qual caso tem mais razão neste assunto. E na contramão da estórias, apoio a idéia de que “qualidade” é sempre melhor do que “tempo disponível”, mas também me pergunto: Como ter o “tal tempo disponível”, quando se vê tantos exemplos de mães cansadas, pais estressados e que mal tem tempo pra eles mesmos? Falamos de “qualidade”, mas o que é realmente essa tal “qualidade” que tanto sonhamos? A verdade, na maioria das vezes, é que a rotina de trabalho, principalmente nos centros urbanos, em geral é muito cansativa e acaba tirando,muitas vezes, dos adultos, a vontade de “dar atenção” aos filhos. Com isso, muitos relacionamentos entre pais e filhos se vêem mediados por “presentes” e “permissões”, que levam ao consumismo vazio e barato, além da perda imensurável de bons valores, os quais não há dinheiro que compre… Algo que tem viciado muitos relacionamentos familiares que eu tenho observado. Por isso,meu amigo, acho que a única alternativa para um relacionamento melhor entre pais e seus filhos, seja realmente “ter tempo” para vivenciar o dia a dia de suas crianças, alternativa que nem sempre é possível para muitas famílias de boas intenções. Mas acho que caberá em cada caso, os pais se perguntarem: “O que é melhor neste momento, trabalhar muito e ganhar mais dinheiro , ou ter uma rotina mais leve de trabalho e ganhar menos dinheiro? ” Com certeza é uma questão que vai de encontro à alma de cada um dos pais, e caberá sempre à eles o desafio de escolher o melhor caminho à seguir…Que Deus ajude à todos nós, “estressados pais modernos”, à escolher o que realmente importa na nossa vida e na de nossas crianças!
    Meu abraço grande pra ti e me perdoe,novamente. pelo texto tão longo!!!

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    • Teresa, amiga querida. Seu texto é espetacular. Orienta muito a gente e a mim, particularmente, convence que temos que nos virar para arrumar tempo. Se a qualidade é qualidade de vida, o tempo de convivência é fundamental. Como vou poder olhar para meu filho e sentir que está triste ou feliz se eu não convivo com ele?
      Não há dinheiro que compre uma boa estrutura de vida. Deixemos o dinheiro para quem se preocupa mais com o dinheiro. Nós nos preocupamos com os seres humanos, então vale a pena optar pelo tempo (com qualidade, é claro).
      Escreva sempre do jeito que você quiser. Uma graça esse seu comentário.
      Um grande abraço para vocês aí

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  9. Posted by Olivia Alves on 3 de novembro de 2013 at 16:35

    Lindo texto!
    Muito importante dar atenção às crianças sim, cada momento é único, e algumas oportunidades nunca mais existirão em nossas vidas! Então é preciso aproveitar tudo ao máximo!

    Beijos

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  10. Texto especial para uma boa reflexão nestes tempos de casas sem quintais ( a maioria nas grandes cidades ) e pais cheios de conexões virtuais e estar ali, presente de verdade como bem colocou a Dulce é essencial para a boa educação e para ficar registrado para sempre nos corações!
    Adorei o texto e a imagem escolhida. bj

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  11. Manoel,
    Acredito que a qualidade seja mais importante que a quantidade, quando se fala do tempo passado junto dos nossos filhos.
    Afinal, o importante é dedicar-lhes tempo e não simplesmente passar tempo cuidando deles. A diferença é significativa, mas ainda há muitos que possam confundir as duas noções.
    A certas criticas de uma professora quando eu era uma mãe jovem que agia por instinto mais que por “saber”, o meu filho tinha respondido: “Prefiro ter cáries nos dentes de comer tanta pipoca rindo às gargalhadas das piadas que faço com a minha mãe, que ter dentes perfeitos e ser perfeitamente triste.”
    Claro, em tudo é necessário equilíbrio, mas o importante é viver… e não ver passar a vida 🙂
    Abraço!

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    • Dulce, claro que vou concordar com você. Achei super interessante a posição da qualidade e não necessariamente da quantidade. E nada melhor que o depoimento deles para a gente perceber o sentido do nosso amor.
      Achei linda a atitude de seu filho e acho que você deve ter ficado muuuuuuito feliz com isso. Eu também ficaria.
      Abração 🙂

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