A ROTINA QUE MATA OS RELACIONAMENTOS

Rotinaby Dado Moura

Quando falamos de rotina, trazemos à mente quase sempre o dia a dia de uma família, com todos os seus compromissos, realizados quase que de maneira mecânica. Contudo, esse mal afeta todos os relacionamentos, inclusive, alguns namoros com pouco tempo de duração ou outros que já estão se preparando para o casamento.

Muita coisa já se passou, desde aquele momento em que o casal trocara os primeiros olhares. A conversa e os momentos românticos tomavam conta, praticamente, de todos os encontros dos apaixonados. As datas eram celebradas ao completar o aniversário do primeiro beijo, do primeiro ano de namoro e, assim, sucessivamente. Cada ocasião comemorada era marcada com presentes ou passeios para celebrar a memorável data. Vez ou outra, o namorado surpreendia a namorada ao buscá-la no trabalho com um telefonema fora de hora ou com qualquer outro tipo de gesto inesperado por ela.

Depois de alguns anos, nos vemos num relacionamento estável – algo que sempre desejávamos ter – mas podemos perceber que alguns tratamentos parecem ter ficado “embolorados” com o tempo. Para os namorados, a rotina dos afazeres com os estudos, faculdade e trabalho pode ter se intensificado e, com ela, outras coisas talvez tenham se perdido ao longo do caminho.

Muito mais suscetíveis aos efeitos malévolos da rotina estão aquelas pessoas que já estão casadas. Com o crescimento do relacionamento, vieram os filhos e, com eles, a necessidade de subdividirem o tempo com outras atividades. As obrigações domésticas passam a ser múltiplas, por essa razão, não será difícil para o casal se sentir sobrecarregado e exausto com as tarefas do dia a dia. Embora estejamos cumprindo, de maneira exemplar, todos os nossos compromissos, podem acontecer mudanças significativas na maneira como os nossos relacionamentos têm sido conduzidos.

Não importa o quanto dizemos amar nosso(a) namorado(a) ou cônjuge; quando a nossa agenda nos deixa muito ocupados, é fácil perdermos a atenção para os pequenos detalhes. Sejam casais ricos ou pobres, letrados ou não, se eles permitirem que o germe da falta de tempo de um para com outro contamine sua convivência, nenhum deles estará livre de viver o esvaziamento de seu relacionamento. Esse descuido pode levar o cônjuge a achar que, como casal, os dois já não têm mais nada em comum; pois embora vivendo sob o mesmo teto, dormindo na mesma cama, eles já não se sentem mais apaixonados.

Muito se fala que a rotina pode matar a saúde de um relacionamento e que, para garantir a durabilidade do nosso compromisso, é necessário fazer viagens ou outras coisas para quebrar aquele ritmo “viciado” no qual podemos nos encontrar. Não há duvida de que um passeio ou uma viagem de segunda lua de mel, para os casais, seja uma maneira de revitalizar suas energias. Entretanto, bem sabemos que nem todas as pessoas dispõem de condições financeiras para lançar mão desses artifícios. Por outro lado, que garantias teriam os casais de que, após uma longa viagem pela Europa, poderiam livrar o casamento da falência provocada pela monotonia? Com condições financeiras para fazer uma viagem ou simplesmente para tomar um sorvete na praça da cidade, o objetivo dos casais em sair da rotina deve estar no desejo de reviverem aqueles pequenos detalhes, os quais foram as centelhas dos primeiros encontros.

Então, aquelas emoções provocadas tanto na namorada, pela surpresa de encontrar uma mensagem no celular, como na esposa, ao ver colado no espelho do banheiro um bilhete apaixonado, podem despertar no casal o sentimento de que ainda podem ser românticos, seja num banco de um jardim ou no convés de um transatlântico.

A rotina pode matar um relacionamento, especialmente, quando o casal não consegue identificar aquilo que está sendo perdido entre eles. Mas alguém precisa tomar a iniciativa de romper com a “formatação” do convívio. Não tenha medo de viver essa competição, quando o objetivo é viver bem seu estado de vida.

* Por que será que isso acontece???!!!

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16 responses to this post.

  1. Assim como a rotina pode quebrar um relacionamento, a falta dela tb. É preciso ter dosagem em tudo porque tudo demais e tudo de menos é ruim, é nocivo. Encontrar esse equilíbrio é que é o desafio de um relacionamento ser bem sucedido. E na verdade, ele não tem um fim, é um processo contínuo.

    Kisu!

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  2. Manô,

    penso que não há como nos livrarmos da rotina já que a vida é cíclica. O que acredito que podemos mudar é o nosso olhar sobre o cotidiano, ou seja, sempre alimentar dentro da gente um gosto de novo a cada manhã, mesmo que tudo se repita, mesmo que tudo seja igual. O que pode manter meu encantamento sobre esse cotidiano repetitivo é vê-lo de forma renovada todos os dias. Gr. Bj.!

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    • Cris, talvez olhando tudo por um outro ângulo, eu não enxergo ou consigo não participar da rotina. Acho (para mim, é claro!) um sacrifício muito grande fazer todos os dias as mesmas coisas. Mesmo que eu perca mais tempo eu mudo as rotinas em função de sentir mais prazer ao fazer minhas coisas. Não posso mudar o nascer ou não do sol, mas a natureza se encarrega de variar isso para mim. Perceba como a natureza não é repetitiva nos pequenos detalhes. Nós também devemos inovar sempre. Um modo simples de estar uma pessoa legal sempre. Nào sei se me faço entender ou se me julgarão ” maluco ” , mas…
      Beijo com carinho,
      Manô

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  3. Eu não sei meu caro, acho que o ser humano por si só é um ser movido a rotinas. Repetimos milhares de vezes os mesmos gestos, as mesmas palavras. Almoçamos e jantamos nos horários determinados e seguimos os nossos dias naquele ritual de acordar, dormir, trabalhar e afins… Quando saímos disso o mundo parece girar ao contrário.
    Acho que num relacionamento o problema não é a rotina em si e sim as obrigações que pesam sobre ele. As pessoas passam agir de maneira mecânica como se acostumaram ao longo do dia e, o humano precisa de mais. Atenção. Afeto. Cuidados – a bem da verdade, acho que tudo na vida precisa de mais, só que a gente se distraí e aí precisa de um “câncer” pra nos fazer despertar.
    Preciso pensar mais a respeito do tema, tenho muitas opiniões aqui dentro. rs
    Eu sou uma pessoa de rotinas, mas de obrigações poucas, ou quase nenhuma. Sempre fugi ao protocolo e sempre fui a que causava espanto. Mas sou feliz sem o peso da felicidade. Livre…

    bacio

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    • Lunna, entendi perfeitamente o seu ponto de vista. Eu tento cumprir os compromissos, mas posso dizer que fujo da rotina. Não faço isso de propósito, contudo adoro mudar os meus percursos, mudar o lugar dos móveis, trocar as cores da decoração (se ficar ruim volta a anterior, mas já pensando em fazer diferente, rs), passear de ônibus, passear a pé,…, e outras coisas mais. Me sinto bem mudando as coisas. Dá a impressão de renovação.
      Muitas vezes sou obrigado a seguir uma rotina. Faço normalmente, mas sempre crio uma novidade durante a rotina. E não pense que sou expansivo… sou falante depois de conhecer bem as pessoas, mas normalmente sou mais observador. Enfim, kkk, você faz o comentário e eu é que conto a vida.
      Valeu Lunna,
      Bacio

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  4. O relacionamento cair na rotina é quase inevitável. Mas tentar mudar isso é necessário. Concordo que o desejo de reviver os pequenos detalhes do início de namoro são importantes.
    Eu acredito que até um presente dado ou recebido sem uma data especial já é um passo para mudar isso. E as atividades não planejadas também são, como um piquenique, um almoço em um restaurante em um dia de semana.
    Ótimo post!
    Beijos

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  5. Será que acontece porque consideramos como adquirido algo que deve se merecer cada dia?
    Existem exceções a esta regra da rotina! Casais que nunca consideraram que a sedução tinha terminado e que, após 35 anos, ainda se consideram namorados e se surpreendem regularmente com pequenos gestos. Como eles dizem: “É um namoro que dura para a vida.”

    Abraço!

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    • Dulce, o seu comentário ficou mais importante que o texto. Simples e verdadeiro. Você é muito perspicaz. Isso é muito importante, na minha opinião:
      ” Será que acontece porque consideramos como adquirido algo que deve se merecer cada dia? ”

      Abraço grande

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  6. Gostei muito do enfoque. Acho que tem tudo a ver. A Paulinha complementou de forma precisa. Por falar nisso: você me parece alguém de uma generosidade……bj.

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  7. Não penso que seja a rotina o mordomo das relações. Acredito mais num outro personagem, a expectativa, que nos leva a acreditar lá fundo no conto do felizes para sempre e suas variações. Tudo é uma rotina, ela nos trouxe como humanidade até onde estamos. Rotina é bom. O que não é a expectativa que temos em relação ao outro, as reações que terá, o que pensa, o que faz, como fala e a sua agenda pessoal. Como vejo, é fundamental buscarmos nossa felicidade, nossa plenitude e nossa realização. Só desta forma, penso eu, é possível se manter interessante o bastante para resistirmos à inevitável rotina dos dias.

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    • Mariel, muito interessante essa sua posição. É uma “invertida” muito interessante na opinião geral sobre a rotina. Sua opinião também é verdadeira e depende de cada pessoa perceber onde está enroscando o relacionamento. Muito legal o seu comentário.
      Um abraço

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  8. Acho que essas coisas acontecem porque nos acostumando a ter sempre a pessoa ali pertinho e as distrações do dia a dia não nos permitem mais prestar atenção aos detalhes que são tão importantes. Ouvir o quando vc está bonita hoje, ganhar flores, são coisinhas pequenas que reavivam os sentimentos. São esses detalhes que não podem ser ignorados.

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