O ÚLTIMO RECADO ANTES DO INVERNO

ImagemFrancisco José Viegas

das paixões só conheci as mais pequenas
aquelas que nasciam na palma das mãos e desapareciam
com a água do mar. mas não eram paixões por barcos
ou pássaros ou cabelos teus: só uma fenda no céu
verde e azul e uma casa desabitada

das paixões só conheci as mais pequenas
como se no minuto imediato eu tivesse de esperar a morte
ou as aves no seu regresso do norte
de resto, implorei aos deuses uma morada branca
onde nenhum peixe chegasse antes do alvorocer
onde nenhum nome coubesse, onde nenhum olhar entrasse
implorei aos deuses o seu encantamento
não o seu dó. foi então que, das paixões, das mais pequenas
surgiram os teus olhos tão verdes e tão brancos
que só eu neles poderia poisar como um pescador
sem mar onde navegar ou lavar o rosto.

* A aparição dos olhos surpreendeu!.

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6 responses to this post.

  1. Acho que só conheceu o que interessava. E o pequeno disfarça, torna menos interessantes o que é o fundamental para o poeta que, sendo poeta, divide, mas não muito.

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  2. Que lindinho. Como se ele dissesse que nunca amou nada de verdade, por inteiro. Até conhecer aqueles olhos que fez tudo que era metade, inteiro.

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  3. Manoel,
    São eles (os olhos) que despertam muitas paixões. Quando o poeta só conheceu as pequenas, era preciso essa janela para que uma grande bata à sua porta e ele possa enfim navegar…
    Grande abraço!

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