QUEM TEM MEDO DE DIZER NÃO ?

Imagemby Ruth Rocha

A gente vive aprendendo
A ser bonzinho, legal,
A dizer que sim pra tudo,
A ser sempre cordial…

A concordar, a ceder,
A não causar confusão,
A ser vaca-de-presépio
Que não sabe dizer não!

Acontece todo dia,
Pois eu mesma não escapo.
De tanto ser boazinha,
Tô sempre engolindo sapo…

Como coisas que não gosto,
Faço coisas que não quero…
Deste jeito, minha gente,
Qualquer dia eu desespero…

Já comi pamonha e angu,
Comi até dobradinha…
Comi mingau de sagu
Na casa de uma vizinha…

Comi fígado e espinafre,
De medo de dizer não.
Qualquer dia, sem querer,
Vou ter de comer sabão!

Eu não sei me recusar,
Quando me pedem um favor.
Eu sei que não vou dar conta,
Mas dizer não é um horror!

E no fim não faço nada
E perco toda razão.
Fico mal com todo mundo,
Só consigo amolação.

Quando eu estudo a lição
E o companheiro não estuda,
Na hora da prova pede
Que eu dê a ele uma ajuda

Embora ache desaforo,
Eu não consigo negar…
Meu Deus, como sou boazinha…
Vivo só para ajudar…

Se alguém me pede que empreste
O disco do meu agrado,
Sabendo que não devolvem
Ou que devolvem riscado…

Sou incapaz de negar,
Mas fico muito infeliz…
Qualquer um, se tiver jeito,
Me leva pelo nariz…

Depois que eu estou na fila
Pra pagar o supermercado,
Já estou lá há muito tempo…
Aparece um engraçado…

Seja jovem, seja velho,
Se mete na minha frente,
Mas eu nunca digo nada…
Embora eu fique doente!

A gente sempre demora
A entender esta questão.
Às vezes custa um bocado
Dizer simplesmente não!

Mas depois que você disse
Você fica aliviada
E o outro que lhe pediu
É que fica atrapalhado…

Mas não vamos esquecer
Que existe o “por outro lado”…
Tudo tem direito e avesso,
Que é meio desencontrado…

Quero saber dizer NÃO.
Acho que é bom para mim.
Mas não quero ser do contra…
Também quero dizer SIM!

* Gosto muito de poemas infantis. São meio que espelho de crianças, não acham???!!!

Ruth Rocha

Nasceu na cidade de São Paulo. Teve uma infância alegre e repleta de livros e gibis. Teve suas primeiras histórias publicadas a partir de 1969. “Romeu e Julieta”, “Meu Amigo Ventinho”, “Catapimba e Sua Turma”, “O Dono da Bola”, “Teresinha e Gabriela” estão entre seus primeiros textos de ficção. Publicou seu primeiro livro, “Palavras Muitas Palavras”, em 1976, e desde então já teve mais de 130 títulos publicados, entre livros de ficção, didáticos, paradidáticos e um dicionário. As histórias de Ruth Rocha estão espalhadas pelo mundo, traduzidas em mais de 25 idiomas.

Ganhou os mais importantes prêmios brasileiros destinados à literatura infantil. Seu livro mais conhecido é “Marcelo, Marmelo, Martelo”, que já vendeu mais de 1 milhão de cópias.

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14 responses to this post.

  1. Olha, eu tenho dificuldade em dizer não… mas não é por excesso de bondade, é que fico triste e com consciência pesada.. imagina qdo for mãe? auhaahaua

    Kisu!

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  2. Manoel,
    Dizer não é importante, dizer sim o é também.
    Como sempre, o importante está no equilíbrio. Prejudicar-se para quem sabe pedir não vale, mas dizer não para que precisa de tudo é injusto e cruel.
    Todos nós aprendemos. A vida encarrega-se de nos ensinar… 🙂
    Abraços!

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  3. Que gracioso. Adorei. Eu também amo esses poemas e até literatura infantil. No fundo trazem mensagens de enorme valia até mesmo para um adulto.

    beijos, querido amigo, e bom final de semana.

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    • Paulinha-Paulete, muitas vezes eu me acho meio com necessidades de ouvir as coisas como as crianças ouvem. Com aquela sinceridade que vem do fundo do coração. A literatura infantil quase sempre me mostra esse lado gostoso de ser.
      Puxa! Agora que percebi que é final de semana. Ando trabalhando demais! (Graças a Deus!).
      Um maravilhoso final de semana pra você também
      Beijo carinhoso,
      Manô

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  4. Manô

    São poemas acima de tudo educativos. Gr. Bj.!

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  5. Bacana demais! Há uns anos atrás entrei nesse processo de aprender a dizer não…. rapaz…. tô nele até hoje. Hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje.. (rs)
    Muito bom mesmo!

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  6. […] QUEM TEM MEDO DE DIZER NÃO ? Filosofia da Arte. POESIA […]

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  7. Gostei tanto, Manoel! 🙂 Beijo

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