DESAPEGO

Imageby D. Paulo Mendes Peixoto

Não é fácil enfrentar um tempo marcado por propostas estimulantes de consumismo e com requinte de esbanjamento. A questão é tão grave que chega até a provocar desequilíbrio social, complicando a vida de muitas pessoas em condições financeiras desconfortáveis. Há uma insaciável febre de compras, induzida pela força e pertinência da mídia.

Seria saudável se todas as pessoas tivessem o necessário para o próprio consumo, mas com capacidade também para certas renúncias, concretizando uma vida de desapego e capacidade de partilha fraterna. Apego exagerado a determinadas riquezas pode denotar sintoma de injustiça, de incapacidade para viver em comunidade e de enxergar o vazio na vida de muitos outros.

Não encarar o desapego de forma concreta pode levar o rico a ficar cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. Com isso, aumenta o fosso existente entre uma classe social e outra, ocasionando uma sociedade que experimenta “na pele” o mundo da violência, do inconformismo e da insegurança. Com isso, sofrem os ricos e os pobres e toda a sociedade com eles.

Existem administradores desonestos e inescrupulosos, agindo de forma escandalosa e injusta com todos. É uma esperteza que clama aos céus, provocando a ameaça e o confronto da justiça. Sabemos que quem pratica o mal, mais cedo ou mais tarde, poderá sofrer as consequências. A injustiça, em muitos casos, é percebida por quem de direito que, às vezes, toma providências.

É importante agir com inteligência diante dos bens que o mundo coloca à nossa disposição. São repugnantes as fraudes que se cometem na administração pública e nos atos privados, deixando transparecer apego a realidades que pertencem a outros. Diz o Mestre Jesus que os filhos das trevas são muito espertos.

O desapego faz as pessoas serem ricas diante de Deus, porque a vida do mundo passa e tudo fica por aí. A grande riqueza é a vida em todas as suas dimensões, na integridade e gratuidade diante da natureza e do Criador. A riqueza pode criar vazio, porque ela é passageira.

* Seria bom investir na integridade moral, não acham???!!!

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28 responses to this post.

  1. É isso aí, Manoel! Há que se desapegar, por uma vida mais leve e fluída.
    Bom fim de ano e obrigada pela companhia.

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  2. Desapego em todos os setores da vida. A gente tem um certo receio em largar aquele emprego, terminar aquele relacionamento que não vem mais dando certo, deixar coisas de lado porque outras parecem ser prioridades e muitas vezes não envolve felicidade, envolvem obrigação.

    Kisu!

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  3. Quantos coment’arios inteligentes e esse texto diz uma grande verdade. ‘E triste ver como uma data com um significado tao especial e profundo se resume a um grande show do consumo. J’a falei que esse ‘e o meu tema favorito n’e? E ‘e tao extenso, abrange uma gama de assuntos e traz grandes consequencias para nossas vidas. Adoro ler sobre o tema e amei que vc tenha trazido esse tema para o blog e nessa epoca que tem tudo a ver.

    Amor de amigo meu, que saudades. Perdao pela ausencia. Mas sempre penso em ti. Um super beijo

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  4. Manoel,
    Voce sempre com seus temas audaciosos, amo isto! Me faz refletir, me faz querer ajustar e ao mesmo tempo questionar meus pensamentos.
    O desapego como já dizia Pessoa, “Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.(…)Encerrando ciclos.
    Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
    Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
    Esta é minha meta para finalizar 2013, encerrar ciclos…
    E você descreveu muito bem a riqueza que eu quero ter em 2014, a riqueza diante de Deus!
    beijos
    Lola

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  5. Posted by alanabastos on 20 de dezembro de 2013 at 0:14

    Concordo com o texto todo, mas na prática confesso que é muito difícil, ainda mais pra mim que ainda estou na adolescência a gente funde o nosso “eu” com o que nós temos, o que podemos pagar e é uma coisa que é dolorosa, acabamos esquecendo de muitos valores importantes por causa disso e sofrendo por besteira por não poder ter determinada coisa, espero que com o passar dos anos eu aprenda a me desapegar um pouco mais e dar valor a coisas mais importantes.

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  6. Penso que desapego é algo que vamos aprendendo aos poucos durante nossa caminhada nessa vida. Não acontece de repente da noite para o dia. A gente vai absorvendo essa ideia à medida em que amadurecemos. Daí passa a ser um exercício constante. Não é fácil pois fatores predominantes na nossa sociedade, impostos em nossas mentes sem que percebamos, levam-nos em direção contrária. Mas com o tempo vamos internalizando esse conceito porque, em contrapartida, sentimos o gostinho doce da liberdade de sermos e escolhermos o que queremos. Gr. Bj. Manô!

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  7. Ótima interpretação sobre o desapego amigo Manoel. Parabéns!
    Vai de encontro ao meu texto falando sobre o mesmo assunto. Já leu? Se não, leia:
    http://meurelicarioblog.wordpress.com/2013/09/17/pratique-o-desapego/
    Bjs
    Sol Ferrari

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  8. Eu acho que não é só a mídia responsável por consumirmos mais ou menos. É claro que ela tem sua parcela de culpa, mas a própria sociedade também é culpada. Essa questão de que o rico pode tudo e o pobre não pode nada. Crescemos desse jeito e vivemos experiências desse tipo seja na escola, no trabalho ou na vida social. Acredito que a base que a família fornece a uma criança é essencial para sua formação, independente de ser $$$ ou não, pois são os valores passados hoje é irão formar o adulto de amanhã.

    Um pouco antes de sair do Brasil eu ouvi de uma pessoa a seguinte frase “você jamais será feliz no seu novo país, porque o que é bom é viver nessa quizumba que é Brasil”. É fácil falar isso quando se mora no Morumbi, num condomínio fechado com seguranças 24 horas por dia e onde a família inteira anda de carro blindado. E eu pergunto, que tipo valor essa pessoa tem? Onde ficam os pobres mortais que lutam todos os dias para conseguir uma vida melhor? Pois é, é fácil falar quando não se está na pele do outro.

    Desapego. Palavra interessante para mim. Eu sempre procurei praticar o desapego, mas só aprendi o real significado depois que sai do Brasil. Não apenas o desapego material, mas emocional também e esse último é o mais difícil de ser compreendido e praticado.

    Um grande beijo!

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  9. É interessante isso amigo. Já fui muito consumista e de alguns anos pra cá, sempre me pergunto duas vezes antes de comprar qualquer coisa: preciso mesmo disso? Hoje sou adepta do desapego em tudo e vivo fazendo uma limpa em casa doando coisas que para mim não serve mais no entanto sei que será de valia para muitas pessoas. Roupas, calçados, utensílios domésticos, livros, móveis. E tenho trabalhado também o desapego dos sentimentos e pessoas afinal, também necessitamos fazer de vez em quando essa tal “faxina” interior e avaliar se vale realmente a pena manter pessoas que ão contribuem para nossa felicidade e evolução. Sentimentos também precisar ser reciclados e modificados para melhorar nosso equilíbrio interior. Não é fácil o desapego seja ele qual for mas é possível sim. Hoje temo a máxima: menos é mais e isso tem me feito muito bem. Bjs

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  10. Manoel,

    A integridade moral não é rara… mas acho que nós, cegos que somos ao bem na maioria dos casos, temos tendência a ver apenas os espaços que ela não ocupa…

    O desapego dos bens de consumo, quando supérfluos, não é algo que a sociedade mercantil incentive, porque é do interesse das empresas realizar benefícios. Pertence a cada um, pertence aos que podem influenciar os seus semelhantes, abrir os olhos dos mais frágeis (e dos mais cegos) sobre essa realidade.

    Fiz a escolha há mais de 10 anos de viver sem TV. Parece estranho? E é, se acredito na opinião das pessoas que me rodeiam. Mas decidi que não queria mais que outros escolhessem os anúncios que eu devia ver, a cultura que eu devia assistir e os filmes que eu devia gostar. Sinto-me por vezes “desligada” de uma certa atualidade, mas garanto uma coisa: sinto-me livre de escolher os bens de consumo segundo a minha opinião e não as opinião que as multinacionais poderiam impor-me…

    Um dia feliz para você 🙂

    Grande abraço!

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    • PS: foi quase um choque de ver aquela foto minha tão grande ali na coluna da direita, kkkk

      Obrigada pelo seu carinho!

      Outro abraço!

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    • Dulce, que lindo isso. Eu penso exatamente igual a você. Aqui no Brasil se você assistir os jornais (noticiários) na televisão você nem sai de casa de tanto horror que tentam empurrar para a gente. Eu não assisto e pessoas vem comentar comigo sobre assaltos, tiroteios,…, e outros mais desagradáveis e eu nunca vi nada disso. Existe um grande exagero para terem audiência e consequentemente um bom patrocínio.
      Penso assim com tudo que querem me empurrar e quando faço algo para alguém procuro fazer particularmente. Não preciso noticiar que colaboro com o Lar dos Cegos. Nem para o povo e muito menos para os cegos. O importante é eles poderem contar com minha ajuda sem saber a origem. Fica mais fácil assim.
      Adorei o seu comentário e o seu modo de pensar. O pessoal mexe tanto comigo por eu pensar assim. Fico imaginando você a meu lado pensando igual, kkk. Vai ser ótimo.
      Um beijo

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  11. Olá, Manoel!
    Pois é, meu amigo, a vida numa sociedade tão consumista como a nossa, e “fazedora” de ídolos vãos e vazios em sua essência, sempre acaba tornando a “arte do desapego” uma atividade muitas vezes bem complexa e difícil. Digo isso não só levando em conta os chamados “bens materiais”, mas incluindo também o nosso vasto “campo das idéias”. Afinal, antes de praticarmos o desapego da nossa parte material, precisamos antes de tudo, aprendermos à nos desapegar das idéias consumista de posse, de exacerbado egoísmo e vaidade, que nos prendem de maneira tão cruel ao sistema do mundo. E acho que isso sempre é a parte mais difícil de superação… Por exemplo, como nos desapegarmos da idéia de “compartilhar” e “doar”, quando somente concentramos os nossos pensamentos em prol dos nossos próprios umbigos? Nessas horas, sempre me lembro do meu filho de 9 anos, que quando era menorzinho rejeitava a idéia de “doar” seus brinquedos mais antigos (que ele nem mais brincava!) e quando eu perguntava qual era a razão, ele me dizia: “Mãe, não consigo fazer isso!” E até hoje, a cada dia, vamos crescendo juntos e tentando aprender a “arte de desapegar” e nos conscientizar de que tudo que temos é apenas por “empréstimo” e nada material nunca será nosso realmente, porque somos todos apenas passageiros nesta imperdível viagem que é a vida!
    E aproveito aqui, amigo Manoel, pra te agradecer pelos teus comentários sempre tão carinhosos lá no meu singelo blog… Te agradeço muito e saiba que a tua solidária companhia é sempre bem-vinda! E por favor, perdoe se às vezes demoro a aparecer por aqui, mas são apenas os contratempos da vida real, que urgem e acabam aquietando o nosso lado virtual… Coisas da arte de viver!
    Tudo de muito bom e meu abraço grande e iluminado pra ti!!!
    Teresa

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    • Teresa, coisa muito linda esse seu comentário. Tudo o que você colocou foi muito importante. Até a citação da pessoa dizer que não consegue e aos poucos ir sendo trabalhada até conseguir. A união de vocês é muito importante para poder fortificar as ideologias. A família de vocês é muito linda.
      Eu é que agradeço muito a sua dosponibilidade de trazer comentários com uma grande seriedade e com o objetivo de ensinar que isso é possível.
      Um abraço muito carinhoso para vocês todos aí. Deus os abençoe

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  12. Clarice Lispector em vez de dizer “o meu mundo” diz audaciosamente “o mundo depende de mim, porque se eu não existir, cessa em mim o Universo.” … sem dúvida a grandiosidade da vida é a capacidade que temos para “deixarmos o nosso legado” com a nossa capacidade de criar, construir e mudar … um beijinho Manoel

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