O SENTIMENTO DE CULPA

Imageby Manuela Melo

Psicóloga, com especialização em Logoterapia e MBA e em Gestão de Recursos Humanos.

 

A culpa atormenta a muitos, muitas vezes de forma tão intensa que pode “travar” a vida da pessoa. Ela traz junto a si tristeza, o desconforto e a ansiedade. É um sentimento imediato, irracional, de angústia e de autocondenação que, às vezes, atormenta-nos e nos faz sentir dores de estômago.

 

Mas de onde nasce este sentimento? A culpa nasce do conceito que trazemos dentro de nós do que é certo ou errado, do que é nosso dever fazer ou do que não devemos fazer. Conceitos introjetados em nós de acordo com a cultura em que vivemos. Ele surge [sentimento de culpa] quando contrariamos esses conceitos.

 

Quando a pessoa possui uma noção distorcida do próprio poder ou traz dentro de si conceitos muito rígidos e inflexíveis, noções desumanas de certo ou errado, tende a se sentir excessivamente culpada. Às vezes a culpa se refere não ao seu pesar por ter perdido o ideal, mas ao desapontamento por não ver realizado o desejo de ser amada, reconhecida, valorizada.

 

Outras pessoas, por não conseguirem deparar com o próprio erro, tendem a sempre colocar a culpa nos outros. Por outro lado, a culpa é importante no nosso processo de crescimento pessoal e amadurecimento humano, e aqueles que são destituídos desse sentimento, vivem num mundo sem moral e sem lei, o que pode ser muito perigoso e até doentio.

 

A culpa, portanto, tem diversas nuances: pode ser um sentimento destrutivo e infantil, que nos fecha em nós mesmos e nos impede de amadurecer, e pode ser um sentimento construtivo, essencial para sermos pessoas responsáveis e capazes de crescer. A culpa positiva nasce da comparação entre o meu “eu” e os valores que me solicitam: a consciência de ter transgredido um estilo de vida livremente aceito, ou seja, nasce da consciência de ter transgredido um valor importante para mim (sinto-a, porque perdi o verdadeiro sentido de minha vida). Nasce da capacidade de julgarmos a nós mesmos em termos dos valores morais que trazemos interiorizados. Nesse caso, quando a pessoa depara com o sentimento de culpa, o que acontece é uma atitude de autocrítica, de percepção do próprio erro e a decisão de mudança de comportamento e de postura diante do próprio erro.

 

Aqueles que possuem dificuldade para lidar com os próprios limites, erros, fracassos, incapacidades, tendem a se martirizar e se culpar de forma excessiva. A causa da culpa destrutiva pode ser o medo do castigo (real ou imaginário) proveniente dos outros ou da própria pessoa que tem esse sentimento, ou seja, o medo de ser castigada pelos outros ao ser descoberta em seu erro, ou uma tendência à autopunição e à autocondenação, na qual a pessoa se martiriza pelo próprio erro, travando toda a sua vida futura.

 

Aprender a reconhecer a própria culpa é aprender a reconhecer que temos limites, que somos frágeis, que somos humanos e, portanto, erramos.

 

Existem pessoas que fazem um ideal de si mesmas tão alto que isso se torna algo inatingível e, com isso, elas nunca conseguem estar à altura dos próprios ideais, caindo numa autocobrança impiedosa. Não podemos nos esquecer de que todos nós, homens e mulheres, trazemos em nós virtudes e defeitos, riquezas notáveis e incoerências.

 

Reconhecer a nossa culpa exige coragem para reconhecermos nossas próprias limitações. Reconhecer a própria culpa é essencial para que brote uma nova postura diante de nós mesmos e do mundo, sem cobranças, sem acusações, sem autopiedade.

 

Precisamos aprender a ter uma justa estima de nós mesmos, uma autoimagem correta e normal, no reconhecimento de que somos dotados de muitos elementos positivos e, ao mesmo tempo, possuímos muitos contornos limitantes que dificultam o agir. Ter uma imagem realista de nós mesmos, reconhecendo que não somos a pessoa que fomos no passado, mas que ainda não somos a pessoa que seremos no futuro.

 

* Que tipo de sentimento de culpa você traz dentro de si? Uma culpa destrutiva, por medo de ser castigado ou por não admitir seus próprios erros? Ou uma culpa positiva, que nasce da consciência de nossa possibilidade de errar e que o leva a buscar ser cada dia melhor?

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10 responses to this post.

  1. Super interessante, a culpa tem seu lado bom e ruim, pura verdade!

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  2. Culpa é estado de espírito.

    Kisu!

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  3. Posted by Ivani on 18 de janeiro de 2014 at 16:51

    Oi Manoel. Saudade de você! Estou passando para deixar um abraço com muito carinho.
    Tenha um 2014 de muita saúde e alegrias, beijo.

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  4. O sentimento de culpa pode ser muito forte e complicado de lidar porque, às vezes, nos falta racionalizar a raíz do sentimento. Mas pode ser sim uma fonte de crescimento se soubermos analisar as circunstâncias.
    Bom fim de semana, amigo querido.

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  5. Há muito tempo aprendi que culpa é uma palavra muito ‘carregada’, pesada, que nos coloca abaixo de tudo. Que podemos usar a palavra ‘responsabilidade”, pois no final o que realmente somos é responsáveis pelos nossos atos e suas consequencias. Hoje encaro a culpa como uma tirania (principalmente daquelas pessoas que acham um culpado para todas as suas responsabilidades não cumpridas), por isso procuro encarar as minhas responsabilidades e o quanto deixei passar (ou não…rs) por medo de encarar um fato ou situação. Todos nós temos responsabilidades e se formos conscentes disso, fica mais fácil encarar quando ‘fugimos’ delas, seja por medo ou qualquer outro sentimento que nos cerca.
    Abraço e um ótimo final de semana, Manoel! =]

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    • Christine, na realidade é isso mesmo. A culpa é consequência de um julgamento e somos muito limitados para julgar alguém. Portanto gostei do seu ponto de vista. Responsabilidade é o mais correto mesmo.
      Um maravilhoso final de semana para você também.
      Um abraço grandão 🙂

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