O VENENO DA INVEJA

Invejaby Pe. Flávio Sobreiro

“Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja.” (Ésquilo)

Não posso garantir que a frase acima é do autor em questão, mas uma coisa sei: ela carrega consigo uma verdade. Muitos se alegram com as dores do outro. Contraditório? Não. Quando alguém não consegue uma vitória que havia buscado, há uma solidariedade, por vezes, camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor do que se alegrar com as conquistas dos amigos.

Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é mais difícil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir, em prestações, a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Mais triste ainda é ver a inveja destruir amizades.

Há diamantes querendo ser topázios, no entanto, não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes, ele irá, ao longo da vida, nos lapidar para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser diamante para nos tornarmos topázio. É preciso aceitar as nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Este processo leva tempo e requer maturidade e confiança na graça de Deus, que nos fez únicos para sermos luz no mundo.

A inveja, talvez, tenha sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir de suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido, passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem e deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar de nossa própria vida.

Ser invejoso deixa, sim, os olhos grandes de incapacidades, que poderiam se transformar em lindos jardins. Não é o elogio que faz o outro feliz, mas a capacidade que temos de cuidar de nossa própria vida e deixar que o outro siga seus próprios caminhos. Quem se preocupa demais com a vida alheia já não tem mais tempo de cuidar de suas próprias demandas existenciais, transformou sua vida no mito de Narciso; mas, em vez de contemplar sua própria face, enxerga sempre, no lago de seus pensamentos, o rosto da felicidade alheia. Perdeu seus olhos em um mundo que nunca será seu. O tempo usado para vigiar a vida do outro seria muito mais bem aproveitado se cuidasse de suas próprias fragilidades humanas.

* Concordam com isso???!!!

Pe. Flávio Sobreiro ,Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP. Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre – MG.

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22 responses to this post.

  1. Olá Manoel, tudo bem meu querido?! =)
    Sabe, tenho que ser sincera, quando me mudei, resolvi correr atrás dos meus sonhos e deixei toda a minha vida para trás tive algumas dificuldades, não de passar fome, ou não ter onde ficar, foi mais a solidão que me deixava triste. Depois de um tempo percebi que toda vez que via meus colegas reunidos em fotos nas redes sociais eu ficava triste. Eles saiam para jantar todos em casalzinho, e eu estava longe do meu namorado, eles passavam o fim de semana acampando e eu estudando, eles iam a shows e eventos, e eu mal tinha o dinheiro do apartamento alugado… Por conta disso resolvi excluir as minhas contas nas redes sociais e cria-las novamente apenas com pessoas essenciais para a minha vida, pois eu acho que se a gente não consegue se sentir bem vendo a felicidade do outro, então devemos deixar de observa-los.
    Creio que a inveja é um sentimento universal, todas as pessoas passam por ela um dia, basta saber administra-la!

    um forte abraço.
    Karolina Malaguetta

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    • Karol, sabe que você tem razão? Você tem que viver conforme o seu modo de ser e somos todos diferentes um dos outros. Para algumas explicações generalizamos, mas o importante é a gente com a gente mesmo. Tem que ser bom para nós senão não serve, não é?
      Um abração forte para você também

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  2. Isso é uma coisa que tenho orgulho de dizer sobre mim: não costumo ter inveja de nada. Nada de coisas mundanas, mas de pessoas que levam a vida mais despreocupadas.

    Kisu!

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  3. Olá! Navegando na internet deparei-me com seu blog e tive a alegria de ver publicados alguns artigos escritos por mim. Agradeço o carinho da partilha e a riqueza dos comentários.

    Obrigado!

    Pe. Flávio Sobreiro
    http://www.padreflaviosobreiro.com
    http://www.facebook.com/peflaviosobreiro

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    • Pe. Flávio, eu é que agradeço pelos seus excelentes arquivos. Gosto de manter por aqui um objetivo que é o de restaurar as famílias e seus textos foram fundamentais para isso. Sempre que puder apareça por aquí. Somos da Paróquia São José Operário de Taubaté – SP.
      Um abraço,
      Manoel

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  4. Manô,

    Eu sei que você sabe que “onde há a inveja, há todo tipo de males”, é por isso que quando me deparo com ela, fujo! Prefiro distâncias que num primeiro momento doem mas que no depois são refrigérios pra alma.

    Grrrrrrrr Bjjjjjjjjjjj! E xô qualquer inveja de nossas vidas!

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  5. Posted by Frasco de Memórias on 5 de fevereiro de 2014 at 18:45

    É um texto muito verdadeiro… Se a inveja é um dos sete pecados mortais é porque faz parte das nossas fraquezas enquanto humanos; mas se somos racionais só temos é que ultrapassá-la. Provavelmente também faz parte da personalidade (e com certeza do carácter – ou falta dele) porque já vi pessoas a sofrer de inveja.
    Beijo sincero 🙂
    Ana

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  6. Se cuidássemos de nossas próprias fragilidades humanas… talvez nào sobrasse tempo para vigiar a vida alheia. Gostei desta ideia do pe Flávio. Temos tanto o que melhorar, tanto a fazer, principalmente descobrir e exercer nossos dons e olhar o dons dos outros como graça diante de toda essa diversidade na qual vivemos.
    Beijo!

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  7. Por isso que eu digo: faça o que fizer por você, mas o faça na sombra, se encontrar um lugar no sol vai descobrir o quanto é incomodo o sol que bate em você e nem sempre nos outros. rs
    Outro dia meu caro uma senhora no elevador estava a reclamar de sua vizinha. Eu entrei no meio da conversa. Fiquei no canto, como de costume porque sou aquela que não se mistura e a ouvi dizer “não sei que tanto ela sorri, a vida não dá motivo pra tanto sorriso”. Respirei fundo e fiquei olhando para os números no elevador. Levou uma eternidade pra chegar ao térreo. rs

    bacio

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  8. Amigo mesmo é aquele que se alegra da nossa alegria, não é? Porque se compadecer na tristeza pode ser até fácil.

    Beijos, amiguinho

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  9. Como não concordar?

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  10. Complicado lidar com isso não? Quem nunca sentiu nem uma pontada sequer de inveja de alguém? O problema é quando a pessoa passa a viver em função desse sentimento negativo. A inveja corrói a pessoa e paralisa impedindo que ela cresça e desenvolva sua vida. Fica ali, feito um voyeur vendo a vida alheia crescer e a sua ficar para trás. Tem que se tratar! E coitado de quem for alvo do invejoso! Já fui vítima e sei muito bem o que isso significa. Socorro!!! rsrs
    Beijo amigo!

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  11. Querido Manoel,
    Acredito que a verdadeira amizade não se perfuma desse veneno. Afinal, quem sente inveja do sucesso do vizinho, dificilmente pode dizer-se seu amigo.
    Alegrar-se com os sucessos alheios e empolgar-se como se fossem os seus próprios, partilhar a felicidade do outro na realização de um objetivo, aliviar-se da resolução de uma dificuldade da qual se partilhou também as preocupações, são as marcas da amizade e do respeito e são provas da realidade do afeto, bem mais que todos os presentes que se possam embrulhar em papel brilhante…
    Bonita reflexão!
    Grande Bjo!

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