A MÚSICA VAI ALÉM DAQUILO QUE OUVIMOS

Imagemby Edvoneide Andraide

A música está presente em todas as culturas e pode ser utilizada como fator determinante em vários aspectos como o desenvolvimento motor, o linguístico, o afetivo e o aspecto cognitivo de todos os indivíduos, estabelecendo também vínculos afetivos que permanecerão para sempre. 

Em condições normais, os órgãos responsáveis pela audição do ser humano começam a se desenvolver no período de gestação, por isso a estimulação auditiva na infância tem papel fundamental. 

Sabe-se que os bebês reagem a sons ainda no útero materno, e sabe-se também que a música, desde que bem escolhida, pode acalmar os recém-nascidos, gerando um aprendizado intrauterino. É muito importante que a criança, desde pequena, seja habituada a se expressar musicalmente, pois esta não é apenas uma boa influência na vida dela, representa também uma fonte de equilíbrio, facilidade e aprendizado para ela. Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, confirmam que a influência da música, no desenvolvimento da criança, é incontestável; algumas delas demonstram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros. 

A família é a primeira instituição de iniciação musical do indivíduo. Vale salientar que os hábitos familiares determinarão os hábitos das crianças, já que estas são formadas cognitivamente em um processo que envolve a imitação da atitude daqueles que estão a seu redor. Dar maior ou menor importância a determinadas práticas culturais, assistir a determinados programas televisivos, escutar alguns repertórios musicais específicos serão, por conseguinte, atitudes reproduzidas pelos seus filhos.

A musicalização é um processo de construção do conhecimento, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, do senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, da memória, da concentração, da atenção, do respeito ao próximo, da socialização e da afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal.

Essa musicalização possibilita várias aquisições, pois, além de transformar as crianças em indivíduos que usam os sons musicais,promovem o desenvolvimento infantil de forma saudável e prazerosa. Contribui também para o desenvolvimento das habilidades musicais, pode auxiliar no desenvolvimento do cérebro infantil e no aprimoramento de habilidades motoras e da linguagem, bem como colabora com os aspectos culturais e sociais, no desenvolvimento e aperfeiçoamento da socialização, no processo de alfabetização. A música favorece o aspecto cognitivo, a capacidade inventiva, a expressividade, a coordenação motora fina; assim como a percepção sonora, a percepção espacial, o raciocínio lógico e matemático, a estética e muito mais.

O aprendizado musical não tem idade. Se todas as crianças tivessem a oportunidade de ter o contato com a música, seria algo extraordinário! Sabemos que existem muitos conteúdos e materiais didáticos para que os pequenos se desenvolvam musicalmente, a questão é como aplicá-los de forma eficaz, pois é uma fase crítica, em que etapas não podem ser queimadas, mas devem ser respeitadas.

Vale ressaltar a importância não apenas da música tocada em um aparelho, mas também o contato estabelecido entre a mãe/pai e a criança. Assim, cantar, murmurar ou assoviar fornecem elementos sonoros e também afetivos, através da intensidade do som, inflexão da voz, entonação, contato de olho e contato corporal, que serão importantes para a evolução da criança no sentido auditivo, linguístico, emocional e cognitivo.

A música também apresenta influência negativa na vida da criança. Somos bombardeados, atualmente, com a massificação dos ritmos e a proliferação de letras que vulgarizam mulheres e homens, expressam, de forma subliminar ou explícita, o apelo sexual. Isso tem sido uma preocupação constante e atual no que diz respeito à influência negativa de algumas músicas no desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Vale ressaltar que criança precisa ser criança, viver essa etapa; portanto, a música infantil deve estar inserida no contexto e na vivência dela de forma positiva, estimulada por pais e também professores nas escolas, principalmente até os 6 anos de idade. Muitas vezes, a criança não tem noção do sentido da letra musical, mas a reproduz pela imitação; por isso os pais precisam estar atentos ao que ela está ouvindo. 

Vale pontualizar alguns tópicos relevantes que podem ser transmitidos implicitamente e de forma negativa, os quais estão bem enraizados em algumas músicas como: malícia, perda da inocência, erotização, apelo sexual e agressividade. Isso ratifica a banalização ocorrida no mundo moderno e nos faz identificar uma perda de valores,  os quais devem ser resgatados urgentemente, por isso, pais, fiquem atentos. Uma vez que a criança absorve esses estímulos, acaba imitando-os e grava, em seus órgãos físicos, o comportamento transmitido implicita ou explicitamente por determinadas músicas. Uma vez que nossas crianças vivenciem essas experiências e o cérebro delas entenda que isso é normal, que é praticável, vão imitar, vão fazer igual e vão repetir um comportamento transmitido por tais músicas. 

Enfim, a música é um instrumento facilitador no processo de ensino aprendizagem. Portanto, deve ser possibilitado e incentivado o seu uso em casa, nas escolas e em ambientes sociais, mas de forma sadia e equilibrada, sempre com a supervisão dos pais. 

Ouvir música não deve ser uma atividade imposta, mas realizada com prazer, pois somente assim os benefícios serão obtidos de forma natural, como sempre deve ocorrer na relação entre pais/filhos ou aluno/professor.

 

* Concordam com isso???!!!

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18 responses to this post.

  1. Posted by Rovênia Amorim on 7 de março de 2014 at 15:33

    Concordo, Manoel! E certo está aquele ditado popular de quem canta os males espanta. Ultimamente, no entanto, há tanto refrão ruim sendo repetido que podemos até inventar um novo jargão. Que tal esse: quem canta mal, os bons espanta!
    Bom fim de semana e obrigada, de verdade, pelo carinho e cantinho do livro! 🙂 Abraços!

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    • Rovênia, amiga querida. Gostei da sua nova “invenção”. Vai ser bem recebida, rs.
      Um final de semana maravilhoso para vocês também e sucesso pelo livro. Já vou pedir o meu!
      Um abraço grande para vocês e um beijo nas gêmeas,
      Manô

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  2. Lendo o texto eu lembrei de quando comecei a fazer aulas de inglês e a professora nos ensinava os dias da semana e do mês cantando uma música.
    Nunca mais esqueci.
    Beijos

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  3. Música!!! Existe melhor calmante????

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  4. Posted by Bah on 5 de março de 2014 at 22:47

    Amo música! Sempre estou ouvindo e meus ouvidos ouvem tudo… exceto funk auauahauau

    KIsu!

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  5. Bom dia caríssimo, eu ouço música desde sempre e, confesso que as vezes me incomoda certos sons que insistem em chamar de música por aí. Mas tento abstrair… Gosto de música clássica porque em casa era objeto comum, tanto quanto ópera e graças a Bossa Nova meu português não é de todo ruim. Algo nele se aproveita.
    Enfim, não sou eclética porque certos ritmos eu simplesmente não suporto. Adoro rock clássico e, sou rockeira confessa e, isso é culpa do mio babo (pai). rs
    Acho que a música nos acalma, ao mesmo tempo que nos anima – mas creio que sejam os ritmos os grandes responsáveis por isso, não? rs

    bacio

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    • Lunna, com certeza são os ritmos os responsáveis pelas reações da música na gente. Eu não tinha pensado nisso, mas você tem razão. Os tipos de música vão dos costumes que temos e do que se apresenta no nosso dia a dia. O que eu acho interessante é que não conheço ninguém que não goste de música. Tem lá suas preferências, mas gostar…todos gostam.
      bacio

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  6. Música sem imposição e sem pré conceito (difícil pra mim, nesses tempos de agora, confesso), é alimento d´alma.
    Beijo,

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  7. Faz um tempinho já e vai parecer estranho, mas acompanhei o experimento de uma universidade que era mais ou menos assim: em um lugar, plantação de tomates… com reprodução de música classica 24 horas por dia. Em outro ambiente, as mesmas condições (terra, sementes, adubo, etc) com exceto a música que, neste caso, foi suprimida. Os tomates do primeiro ambiente eram o dobro dos outros. Se a música faz bem para tomates, imagina para humanos.

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  8. Manoel,

    Tudo o que é dito acima sobre a música e os seus benefícios no desenvolvimento dos mais pequenos foi comprovado cientificamente e não me parece fazer objeto de qualquer dúvida. O que mais me fez pensar foi a noção da influência que certas músicas e letras podem ter no comportamento e na criação de valores dos mais jovens. A música, afinal, deve despertar uma emoção, fazer vibrar algo muito além do perceptível e do explicável. Se essa música (e a letra que a acompanha) é, de alguma forma, agressiva, preconceituosa, ou mesmo violenta, a “corda” que vibra dentro de quem a ouve ficará ativa e gravará a mensagem assim transmitida.
    Direi ainda que não é necessário ser-se criança para que isso aconteça! Lembremos-nos dos hinos utilizados pelos regimes totalitários, pelas ditaduras ou pelas seitas, entre muitos outros, que pretendem inculcar uma mensagem aos seus cidadãos ou membros…
    No caso das crianças, são necessários um interesse constante, uma dedicação de todos os instantes e um interesse permanente a todos os aspetos da construção da personalidade do ser que nos foi confiado. A música, ao mesmo título que tantos outros aspetos, participa dessa construção.
    Ser-se pai ou mãe, afinal, é um trabalho de todos os instantes que se inicia bem antes de dar à luz e muito depois dos nossos filhos se tornarem adultos…

    Como sempre, as publicações que partilha conosco neste espaço fazem-nos refletir sobre o mundo!
    Obrigada!

    Beijinhos!

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  9. Manoel, achei muito interessante e concordo inteiramente! Beijo

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