OS RISCOS DO USO DA TECNOLOGIA

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Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica e Organizacional

Estudos mostram que o cérebro superexposto a essas tecnologias pode ter um déficit em seu funcionamento.

Todos os extremos costumam fazer mal a quem adota tais hábitos, como o excesso ou a falta de alimentos e de água, o excesso de velocidade com o carro. Com a evolução da tecnologia e a facilidade de acesso a ela, um novo questionamento surge em casa: “Qual o risco dessa crescente exposição aos dispositivos de mídia?”. Tablets, notebooks, TVs, celulares… Todos os equipamentos são parte da nossa vida, mas podem e precisam ser melhor utilizados por nossas famílias.

Crianças têm facilidade de adaptação e aprendizado; na verdade, elas interagem mais rapidamente com a tecnologia, porque, muitas vezes, encontram os adultos fazendo uso desses equipamentos e aprendem por observação.

Pesquisas científicas mostram um aumento no risco de vários problemas emocionais e neurológicos frente ao uso superior a quatro horas diárias dessas tecnologias. Quanto menor a idade, menos tempo é indicado para o uso de tecnologias. Mas o que encontramos é uma realidade bem diferente dessa.

Quais os riscos envolvidos? Tais pesquisas revelam que os principais prejuízos são: sensação de solidão, depressão, obesidade, ansiedade, baixa autoestima e aumento de agressividade. As pesquisas, em diversas universidades de renome, indicam que boa parte dos adolescentes que costumam passar muito tempo conectados sentem desânimo, tristeza ou depressão pelo menos uma vez por semana. Este sentimento de vazio pode ser potencializado em uma casa onde todos, nos momentos de possível convivência, encontram-se “conectados” e “isolados” em seu “mundo”.

Todos, em casa, estão com seus celulares, tablets e computadores, muitas vezes, num mesmo ambiente, mas com “zero interação”. Não existem jantares e conversas à mesa. Pouco se fala. Eles não contam suas histórias de vida, não falam sobre o que se passou com eles naquela semana e coisas do tipo.

Existe, então, um risco físico? Estudos mostram que o cérebro superexposto a essas tecnologias pode ter um déficit em seu funcionamento tanto em execução quanto em atenção, pode sofrer com atrasos no aprendizado, raiva expressiva, maior impulsividade, dificuldade de concentração dentre outros. (Small 2008, Pagini 2010). Questões de concentração e memória (sem concentração é mais complicado armazenar dados em nosso cérebro) acontecem, porque o cérebro toma atalhos até o córtex frontal para lidar com tal rapidez de informações. (Christakis 2004, Small 2008). Logo, se uma criança tem dificuldade na concentração, também terá dificuldade em aprender. Nesse sentido, podemos pensar que essa seja uma das causas do aumento de casos de déficit de atenção e hiperatividade entre crianças, especialmente.

O caminho não é a proibição do uso, mas a consciência dele e sua adequação para cada faixa de idade, lembrando que o apego ao uso de tecnologia pode levar a prejuízos desnecessários. Carinho, amor, interação social, contato e outras atividades fazem parte do nosso desenvolvimento saudável.

* Como a tecnologia tem sido usada por você e por sua família? Pense nisso!

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19 responses to this post.

  1. Eu sempre achei nada comum ver crianças com menos de um ano brincando em tablets. Achei que estava sendo antiquada de mais, e meu marido, por trabalhar com tecnologia sempre fala que é normal.
    Meus sobrinhos só se sentem bem na casa dos avós porque tem videogame e tv. Onde foi parar a vontade de somente estar perto dos avós? Ou ainda de estar junto com a família, mesmo sem ter o que fazer?
    Ainda bem que terei uma justificativa para não deixar meus filhos ficarem horas em frente ao computador ou tablets.
    Beijos

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  2. Posted by Bah on 9 de julho de 2014 at 11:29

    Meu sobrinho não fez nem um ano e já tá mexendo no tablet melhor que muita gente por aí rssss

    K!

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  3. Convivo com pessoas da área de TI, há bastante tempo. O que todos tiveram em comum é, sem dúvida, um certo delay no modus operandi “real”. Ao menos essa foi a percepção que eu, uma criatura toda ligada nos sentidos e quase nada tecnológica, tive.
    Me fez bem ler esse artigo. Tirou uma certa culpa do pensamento.

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    • Cláudia, eu sou uma excessão à regra, kkk! (Tive um professor que dizia que toda excessão não presta. Ainda não parei para pensar nisso, kkk). Trabalho na área de TI, mas olho isso com um certo romantismo. Quanto mais me aprofundo nisso, mais eu tenho necessidade de me relacionar olho no olho. Até me sinto esquisito porque muitas vezes a gente (de TI) parece ser fruto das redes sociais, mas não é. Adoro um papinho, árvores, rios, passarinhos, mortadela em boteco do interior… e por obrigação tornei a TI uma coisa romântica.
      Um beijo

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  4. Penso que “adequação” tenha que ser a palavra chave. A máquina tem que servir ao homem e não vice versa.

    Beijo ternurento

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  5. Gostei muito do texto. Necessário esta reflexão onde a tecnologia já faz parte do cotidiano. O caminho realmente não é proibir, especialmente quando se trata de jovens. Nas o uso consciente, reflexivo e sempre o bom e velho equilíbrio. O problema é que muitos estão simplesmente consumindo tecnologia sem questioná-la. E então a tecnologia é que está nos fazendo de robôs…
    Beijo!

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  6. Tempo bom quando as pesquisas escolares eram feitas nos livros e enciclopédias e não no google com copia-cola.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

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  7. estes artigos, são bastante esclarecedores, pena que as pessoas os descartem… um bom dia Manoel. beijo, Mia

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  8. Confesso a você que sou antiga e pouco uso a tecnologia e pra piorar, ainda sou daquela que cansa fácil dos brinquedos. rs
    Uso computador para trabalhar e o celular para os contatos do trabalho, mas não tenho paciencia para mais… Aqui a casa também não é diferente. Temos nossos momentos a dois e não trocamos por nada. É gostoso ler junto na cama, conversar a mesa e, quando recebemos os amigos, eles estão conosco e não com o resto do mundo. rs

    bacio

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