EU ESTAVA ERRADO. PERDOE-ME!

by Elaine Ribeiro
Psicóloga Clínica e Organizacional


Em muitas situações de desentendimento e desconfiança nos relacionamentos humanos, bem como nas separações, brigas no trabalho e nos ambientes sociais, é importante reconhecermos uma de nossas grandes falhas: a falta de um pedido de perdão. Não reconhecermos nossos erros é um grande obstáculo na qualidade do convívio.

Por qual motivo temos estas dificuldades? Um deles é admitir a “perda da nossa dignidade”, ter de passar por cima do nosso orgulho, sentirmo-nos ameaçados ao expormos nossos pontos fracos, ou que, ao pedirmos desculpas, o outro “nos ‘passe na cara’ ou use isto como uma vingança”, ou ainda que “seja lembrado pelos erros ou punido por ser honesto”. (Powell, J. 1985). Acho que, muitas vezes, você já viveu isto, não é mesmo?

Em várias situações, sentimo-nos inferiores ao pedir desculpas; temos a necessidade de passar parte de nossa vida provando que somos sempre certos, que somos sempre capazes, que somos fortes e invencíveis. De alguma forma, esta necessidade vai sendo imposta a nós e pode ser uma grande armadilha em nossas vidas.

Em outras situações, posso usar o seguinte pensamento: “se não recebi as desculpas do outro, por que eu vou me sujeitar a pedir desculpas?”. Isto nada mais é do que um grande processo de imaturidade, ao deixarmos que os comportamentos da outra pessoa possam determinar os nossos comportamentos e atitudes. É como achar certo roubar, porque alguém já roubou, não foi descoberto e nunca foi punido.

Para que possamos chegar ao ponto de pedir desculpas, é válido encontrar um ponto de honestidade com nós mesmos, assumindo falhas e limitações. Esta honestidade interior faz com que vejamos, verdadeiramente, nossa responsabilidade nas situações, possamos reconhecer o que fizemos e entrar numa atitude de reconciliação com o outro. Talvez, nem sempre consigamos perdão, mas a atitude de reconhecer é totalmente sua e, certamente, muito libertadora.

Peça desculpas, mas livre-se dos que levam você a pensar: “você provocou isto”, “só reagi assim, porque você é culpado”, “estou tratando você como fui tratado por você”. Tais formas “racionais” de explicar um fato, apenas alimentam em nós mais raiva e mais ressentimento. Faz com que cubramos nossos erros e não permite que, honestamente, possamos admitir o que foi feito de errado.

“O perdão é instrumento de vida” (Cencini, A . 2005) e “força que pode mudar o ser humano”. Certamente, “a falha em pedir desculpas” e em perdoar só servirão para prolongar a separação entre duas pessoas. Para isto, “a verdade precisa estar presente em todos os sinceros pedidos de desculpa” (Powell, J. 1985), compreendendo a extensão dos prejuízos que nossas atitudes, por vezes desordenadas e desmedidas, possam ter provocado na vida do outro.

Por vezes, precisamos quebrar nossas barreiras interiores e realizarmos um grande esforço ao dizer: “Eu estava errado, perdoe-me!”, pois este esforço fará sua vida muito melhor, mesmo que o outro não aceite, de imediato, seu pedido, mas sua vida já foi mudada a partir deste gesto.

* Pense nisto: Para quem você gostaria de pedir perdão hoje?
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22 responses to this post.

  1. Bah, verdade mesmo. Aos poucos a gente vai vendo e falando o que é possível, rs.Kisu!

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  2. É, há ótimos pontos a serem abordados nessa frase, pensando bem rs.Kisu!

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  3. Bah, você citou uma coisa muito interessante e eu aproveito para levar para um outro ângulo fora da postagem.Você disse:"No mundo da praticidade, o que dá trabalho é deixando de lado (ou canto)."No caso o se afastar seria mais fácil. Nesta postagem eu concordo com você e até exemplifico com a famosa historinha do prego entrar na madeira e machucá-la. Depois ele sai e pede perdão. A madeira o perdoa, mas o "buraquinho" que o prego fez não fecha, não é? Então é por aí e depende muito de cada pessoa.Quanto ao : "No mundo da praticidade, o que dá trabalho é deixando de lado (ou canto)." – vem ocorrendo uma tendência a eliminar idosos na medida em que vão ficando com doenças incuráveis. Economizam dinheiro e desocupam espaço. Mas isso é assunto para outra postagem e tem que ser bem documentado. Por enquanto é só um "boato". Enfim…Adorei você ter vindo aquiKisu!

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  4. Eu vou ser sincera, dificilmente eu perdôo. Assim, aquele perdão de coração mesmo. Do fundo da minha alma. Sei que preciso trabalhar mais nisso e passei uma boa parte desses últimos 7 anos fazendo isso. Não é uma tarefa fácil, porém, o perdão tem que ser feito realmente de coração, qdo vc está purificando a alma. Mas parece que às vezes, quanto mais envelhecemos, mais enrijecemos essa capacidade de perdoar porque se afastar é mais fácil.No mundo da praticidade, o que dá trabalho é deixando de canto.Kisu!

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  5. MARILENE, é isso mesmo! O danado do jogo de cintura a gente aprende vivendo, não é?Eita menina inteligente essa MARILENE.Bjs

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  6. Cris, você é um amor de pessoa.Bêjo do Manoel

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  7. Sissym, amiga bastante querida. Você está certíssima. Esse é o famoso jogo de cintura que só a vida ensina a gente. Tudo fica mais fácil e harmonioso, não é?Bjs

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  8. Inaie, eu não havia pensado nisso. Você tem razão. Até acho isso um excesso de "charminho".Um abraço grande

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  9. Obrigado por sua participação aqui. Sempre que puder, volte.Até mais

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  10. Rovênia, amiga muito querida. Obrigado pelo carinho da sua amizade.Achei legal seu comentário. Leva as situações complicadas ao diálogo com muito jogo de cintura.Carinhoso abraço para você também

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  11. Ana Paula, com certeza. Derrubar a nossa barreira é muito mais difícil, mas o retorno é muito bom.Beijo

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  12. Dulce, adorei a sua opinião. Isso é que é educação e parabéns a sua querida avó pela sabedoria de viver.Bjos

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  13. Carla Renata, kkkkkkkkk! Você é demais! Concordo com você, rs.bjokas lindeza

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  14. Quando somos mais jovens, o pedido de perdão é associado a uma certa dose de humilhação, creio eu. Mas vamos aprendendo que ele é por demais salutar e facilita todos os tipos de relacionamentos. Admitir um erro até nos enobrece. Bjs.

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  15. OIEEE!!! Vim dizer duas coisas:Primeira coisa: Obrigada pelo seu super comentário lá no Psicoses. Adoreiii. Fez minha sexta feira ficar mais cor de rosa. hahahahaSegunda coisa: Eu entrei nesse blog hoje cedo hahahaha vi todo o texto achei mega, mas não vou comentar mais sobre ele. Vou comentar minha gafe. Eu vi a foto em cima do texto e pensei: Nossa que moça poderosa, nem vou segui-la pois que importância tem umas reles psicótica para ela? E fui embora. Nem olhei o quem sou eu. hahahaha mas eu sou uma tapada mesmo!Pode deixar que no próximo eu comento a postagem certinha sem desvirtuar os comentários. Promessa de psicótica.Bêjo da Cris

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  16. Manoel,Não há nada melhor do que reconhecer as falhas.Nem sempre há sensação confortavel ao perceber o erro. É preciso ter clareza, saber falar, ser humilde e ter coragem para se aproximar da outra parte ou até mesmo grupo. Assumir o erro é muito bom para si proprio, mas nada garante que será perdoado.Quando estou enfrentando um momento delicado ou me retraio para pensar mais a respeito ou me calo. Eu costumo ter muito cuidado ao me pronunciar. Sou mais diplomática, talvez seja o motivo pelo qual raramente tive atritos constrangedores.Bjs

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  17. manoel, quando eu estoue rrada peço desculpas sem problemas. Mas muitas vezes o erro não passa de umapercepção alheia. Aí eu tenho muita dificuldade em me desculpar.- Você me ofendeuuuuuu.E eu nem me lembro o que disse e com certeza nao tive nenhuma intençãod e ofender a pessoa. O máximo que sai é:- me desculpe se você está se sentindo assim. Não tive a intençao.Mais que isso nao sai nao.

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  18. Olá.Muito bom,adorei a postagem e tudo mais, parabéns.Estarei por aqui sempre que possível.Até mais

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  19. Olá, Manoel,Seja bem-vindo de volta. Senti a sua falta. Gosto de ler os seus textos que, sei, são selecionados com primor e carinho. Eu não tenho problemas nenhum em pedi desculpas. E não veja problema nisso. Eu me sinto bem assim e acho que a outra pessoa também. É importante também dizer o que nos magoa. Às vezes, isso é mais difícil. Se a outra pessoa pedir desculpas, tudo se resolve e o coração volta a bater feliz. Um abraço carinhoso, querido amigo!

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  20. Pode até ser difícil, e é, mas traz uma leveza e serenidade…Bem lá no fundo, sabemos que estamos errados, soa um alarme. Escutar é que um problema!Mas este texto traz essa boa reflexão e a possibilidade de mudança.Beijo

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  21. Todos temos mil razões de pedir desculpas, por todos nós somos imperfeitos e erramos! Fui educada pela minha avó que dizia sempre "Perdoa e pede que te perdoem! O erro existe porque nós existimos. A perfeição existe, mas não é terrestre!" => Crazy 40 Blog

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  22. Não tenho problemas em me desculpar e reconhecer meu erro qdo estou errada.. mas como NUNCA ESTOU ERRADA..kkkkkk (brincadeirinha… só ke não..kkkkkkk) bjokas lindezu

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